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A actual Junta de Freguesia
de Machico é um imóvel de grandes dimensões de dois
pisos que apresenta planta quadrangular. A sua construção
deve datar dos finais do Séc.XVII ou princípios do século
seguinte.
Possui cozinha no segundo piso; esta têm forno e chaminé
exterior de forma quadrangular. Neste andar nobre ficava situada também
a grande sala de jantar, actual Salão Nobre da Junta, e os quartos
de dormir. No primeiro piso, por debaixo da cozinha, encontra-se um poço
cisterna sob um bonito arco em cantaria mole. Este piso térreo
era o local destinado à arrecadação e armazém
do Solar e originalmente deveria ser em terra batida ou toscamente calcetado
a calhau do mar.
As fachadas Sul e Este são sóbrias com janelas de guilhotina
no piso superior sem cantarias a emoldura-las. No piso inferior as janelas
são de portadas de madeira com vergas de cantaria vermelha e cinzenta
regional.
As largas paredes de habitação são de alvenaria de
pedra rebocada a argamassa de cal e a ampla cobertura piramidal é
de quatro águas em telha de meia cana com beiral duplo.
Este imóvel foi residência de família abastada da
qual se desconhece os originais proprietários, nos inícios
do Séc.XX ali se instalou, temporariamente, a Câmara Municipal
de Machico, até 1929, quando se inaugurou o actual edifício
dos Paços do Concelho. Posteriormente foi depósito de gado
vindo do Porto Santo e mais recentemente foi Escola Primária no
piso superior e no rés-do-chão quartel de bombeiros.
Presentemente o edifício sofreu profundas obras de adaptação
a Junta de Freguesia, no segundo piso, e Sala de Actividades Culturais,
no piso térreo. Este imóvel já se encontrava em avançado
estado de degradação. Mantiveram-se as grossas paredes do
primeiro piso, a lareira, o forno, a chaminé e recolocaram-se:
as cantarias que emolduravam as aberturas, os ladris de desenho enxaquetado
do átrio de entrada e a guarda da escadaria de acesso ao piso superior.
Na zona do forno e poço cisterna optou-se por deixar o aparelho
da pedra à vista, preenchendo o espaço entre elas com uma
argamassa primitiva e coeva do imóvel à base de cal e areia
da ribeira.
Respeitou-se as pré-existências e estabeleceu-se um diálogo
com a actual linguagem arquitectónica. Trata-se, verdadeiramente,
de uma nova construção e não de um restauro, apostando-se
na aplicação de novos materiais, formas e soluções,
acabando por se tornar num edifício moderno, depurado e racional
que recusou enganosas reconstruções, falsos regionalismos
e extemporâneos revivalismos.
O projecto de recuperação foi da autoria da arquitecta
da autarquia Lisandra.
De realçar que neste edifício está exposto um pequeno,
mas muito bem concebido, Núcleo Arqueológico resultante
das escavações levadas a cabo pela Associação
ARCHAIS, no Verão de 2000, no próprio imóvel a quando
das obras de adaptação a Junta de Freguesia. Estas escavações
que decorreram no poço cisterna e logradouro recuperaram objectos
que nos permite conhecer como viviam os nossos antepassados em tempos
mais recuados.
Emanuel Gaspar
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